Liderança Ineficaz: Sete Atitudes do Líder Infrutífero


E veio a mim a palavra do Senhor dizendo: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel, profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? – Ezequiel 34.1-2

As sociedades modernas buscam o dinamismo e a constante evolução, por isso as mudanças ocorrem em um piscar de olhos. A valorização do indivíduo nesse contexto é uma necessidade primordial, razão pela qual objetivamos ajudar a corrigir rumos, ressaltando pontos negativos para que sejam evitados. Para isso, é preciso perguntar: Se os líderes eficazes estão empenhados no desenvolvimento e crescimento de outros líderes, quais, então, seriam as características daqueles líderes extremamente ineficazes?

1 – PENSAM QUE PODEM FAZER TUDO SOZINHOS

Ninguém é bom ou excelente apenas sozinho. Há sempre alguém, um referencial, um suporte, uma estrutura, que incentiva e impulsiona para a realização. Esse é um mal de muitos líderes cristãos. Por não terem confiança nos seus líderados, procuram fazer tudo sozinhos.

Pensar que ninguém é capaz de assumir responsabilidades é o grande mal de muitos obreiros, e por isso quem perde é o próprio líder e a igreja de Cristo.

Não é raro observarmos líderes evangélicos estressados, cansados, sem tempo para a família e para sí, justamente por não delegarem funções aos seus liderados. O líder ineficaz não sabe a diferença entre delegar e abdicar. Ele pensa que delegar é resignar-se do seu cargo.

Na Bíblia, encontramos o próprio Deus dizendo: “…não é bom que o homem esteja só.” Embora o contexto dessa passagem bíblica diga respeito ao casamento, a sua essência diz respeito à solidão. Líderes talentosos devem buscar parcerias e conselhos. Moisés uniu-se a seu irmão Arão, procurou aconselhar-se com seu sogro Jetro e aliou-se ao valente Josué, seu amigo. Mais tarde, Josué viria a ser seu sucessor.

Jesus, nosso maior exemplo, formou uma equipe em seu ministério terreno. Ele recrutou homens bem diferentes em conhecimentos intelectuais, capacidade de liderança e temperamentos, tudo para uma missão: Difundir o evangelho em “Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra.” (At 1.8)

O que faz um grupo ser uma equipe é o próprio líder. É ele quem cativa, quem se sente responsável por quem cativou, que incentiva, vibra, enaltece, elogia o processo e os resultados de um trabalho realizado. Líder compartilha, ouve, delega. Ele não fica ralhando no gabinete fechado. Líder é aquele que visita, almoça a mesma comida e no mesmo refeitório. Não importa se homem (Líder de obreiros) ou mulher (Líder das atividades femininas), importa ser gente, líder-gente, convivendo, sentindo, cuidando, gerindo e finalmente, gerando novos líderes.

2 – PERDEM A VISÃO

“…E era Eli da idade de noventa e oito anos, e estavam os seus olhos tão escurecidos, que já não podia ver.” (1 Sm 4.15)

Eli pode ser considerado um sacerdote ineficaz, porque não teve domínio nem na sua própria casa. Lamentavelmente, encontramos alguns líderes que já perderam a visão de Deus para seu ministério e querem continuar tentando (Lv 21.18). Como poderá visionar o crescimento da obra de Deus, se a visão lhe falta?

Como resultado, ministérios estão sendo destruídos, igrejas param de crescer, o evangelho de Cristo é menosprezado e a igreja militante é envergonhada. Tudo isso são consequências de muitos líderes que estão tentando fazer a obra do Senhor Jesus sem a específica visão que já não tem.

Veja em 1º Samuel 4.3-11 o que aconteceu quando diante da Igreja do Senhor, encontramos líderes sem visão, tratando levianamente das coisas dos Senhor.

Quando homens ímpios são colocados em postos de comando, Deus é esquecido.

A Bíblia diz: “Levaram a arca para o campo de batalha, quando o seu lugar era no santuário” (1 Sm 4.5). O resultado foi a morte de 34 mil homens (1 Sm 4.2-10) a perda da arca (1 Sm 4.11) e a destruição de Siló. O castigo foi tamanho, que os profetas posteriores o mencionaram como exemplo (Jr 7.12, 16.6-9/Sl 78.60-64).

O homem de Deus não pode terminar seu ministério dessa maneira. Aprendamos com o apóstolo Paulo em 2ª Timóteo 4.7-8: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos que amarem a sua vinda.” Não podemos perder a visão do ministério que Deus tem confiado a nós.

Devemos reconhecer a hora de parar, mas sem abrir mão da dignidade. Que esse processo natural não seja com cegueira. O ministro não pode ser cego na revelação, porque diante de Deus ele fica desqualificado para o exercício ministerial. (Lv 21.18).

3 – PERDEM A EMPATIA

O líder que se coloca no lugar de seus liderados e sente o que eles sentem tende a compreender as limitações humanas. Líderes que participam, sensibilizam-se, amam e têm consciência de que o amor pelas pessoas e por aquilo que realizam é a alavanca da valorização humana. Líderes que exercem o papel de educador (coaching) e acreditam que o trabalho em equipe (team work) é o caminho mais eficaz para a excelência na igreja são valorizados pelos crentes.

Gente gosta de ser bem tratada, notada, admirada, valorizada, etc. Alguém certa vez disse: “Gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente!” Gente conquistada é equipe formada.

Em uma orquestra, todos os instrumentos são diferentes. São tocados em tons diferentes e por pessoas diferentes, mas todos se harmonizam e encantam tantas outras pessoas. Isso é trabalho de equipe! No ministério eclesiástico, ninguém pode querer ser o melhor. O resultado eficaz do trabalho coletivo é o que gera satisfação, o prazer e a sensação de ter feito o melhor todos juntos. “Melhor é serem dois do que um, porque tem melhor paga do seu trabalho.” (Ec 4.9)

O líder nunca deve perder a empatia pela igreja, todavia, uma vez que isso aconteça, será o fim do seu ministério naquela congregação. Líder de gabinete é aquele que só atende ao rebanho do Senhor no seu escritório e, para isso, deverá marcar uma hora com muita antecedência. Deus precisa de obreiros que se entreguem completamente para fazer a sua obra, que não meçam esforços para pastorear o seu rebanho.

Existem muitos líderes na mesma situação de Jonas, sem nenhuma empatia por aqueles a quem o Senhor se agradou salvar. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” (Fp 2.5-7).

4 – VIVEM INSATISFEITOS

Façamos um teste:

   A) Você acorda só porque o despertador foi preparado para aquele horário escolhido por você?

   B) O que acontece depois? Você acorda e diz uma murmuração para o despertador ou fica feliz pelo novo dia?

   C) Você acorda, vai ao banheiro, acende a luz, olha-se no espelho e comenta consigo mesmo: “Como estou acabado”?

   D) Após a higiene pessoal, você abre o seu armário e diz: “Meu Deus, eu não tenho o que vestir”?

Esses são quatro momentos de conquistas e, no entanto, podem representar quatro momentos de infelicidade para aquele que está amargurado. Sem dúvida, esse é o retrato de muitos líderes que estão insatisfeitos com sua família, seu salário, seu pastor-presidente, sua igreja, seu carro, sua casa, sua posição, etc.

Com fins didáticos, façamos uma distinção entre líderes da linhagem de Eli, que são aqueles que trabalham por uma moeda de prata (Is 1.23, 19.10). Judas Iscariotes é um bom exemplo contemporâneo.

Líderes ineficazes que só pensam em estar no ministério por causa do salário ou por um pedaço de pão (1 Sm 2.36), não se importam com almas que custaram o preço de sangue e vivem insatisfeitos. “Sim, ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com maná, que nem tu nem teus pais conheceis, para te dar a entender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor, disso vive o homem.” (Dt 8.3)

O líder insatisfeito só pensa em subir de cargo sacerdotal (1 Sm 2.36), para que também suba seu salário. Enquanto isso não acontece, ele vive reclamando.

Os líderes da linhagem de Arão são aqueles que o são por amor à causa. Caracterizam-se por:

   a) Voluntariedade (Jz 5.2, Sl 110.3 e 1 Pe 5.2)

   b) Trabalho (Não pelo pão: Jo 6.27)

   c) Convicção (2 Rs 4.9)

   d) Não buscar cargos (Sl 100, Jo 15.16)

   e) Não se envolver por medo (Zc 4.6)

   f) Não procurar aparecer (Jo 3.30)

Se você estiver insatisfeito, siga as seguintes instruções:

   a) Ao ser despertado pelo som do relógio, não fique mal humorado. Dê-lhe um beijo, pois ele acabou de colaborar com uma conquista.

   b) Ao acender a luz do banheiro e olhar para o espelho, diga: “Oba, eu estou vivo! Bendito seja o Senhor por sua misericórdia que dura eternamente!”

   c) Ao abrir o armário, alegre-se por que Deus tem lhe vestido.

5 – PROCURAM POR INTERESSES PRÓPRIOS

Quando procuramos cuidar dos nossos próprios interesses e nos esquecemos dos interesses pelos quais fomos chamados, nos tornamos ineficazes para Deus.

O líder ineficaz pensa em reformar a sua casa, trocar de carro, fazer uma viagem para o exterior a cada três ou seis meses, fazer mais um consórcio, informatizar a igreja e nada mais. Ele desenvolve seu ministério com interesses próprios, sem pensar no motivo pelo qual Deus lhe tem chamado, que foi ganhar e ensinar vidas.

É momento de colocarmos nossos interesses em segundo plano e desenvolvermos o dom que Deus tem dado para cada um de nós. Davi deixou de lado os interesses de Deus em sua vida e procurou seus próprios interesses. As consequências foram trágicas: Adulterou e matou (2 Sm 12.9). Depois disso, veio o castigo divino sobre ele, porque abandonou os interesses de Deus. Que os interesses de Deus sejam os nossos interesses! “…negociai até que eu venha.” (Lc 19.13).

6 – ACOMODAM-SE

Existem líderes que se acomodaram, porque perderam a motivação em fazer a obra de Deus. Não procuram se atualizar, se esforçar, e quando tentam fazer algo que parece ser difícil, desistem.

Não desista de lutar, quando tiver algum problema, faça alguma coisa!

Se não puder passar por cima, passe por baixo, passe pelo meio, dê a volta, vá pela direita, vá pela esquerda… Se não puder obter o material certo, vá procurá-lo. Se não puder encontrá-lo, substitua-o. Se não puder substituí-lo, improvise. Se não puder improvisar, inove. Mas, faça alguma coisa! E, principalmente, não se esqueça de buscar orientação divina.

Há dois tipos de líderes que nunca chegam a lugar nenhum: Os que não querem nada e os que só inventam desculpas. Deus não necessita de líderes para acomodar-se no ministério. Deus necessita de líderes que proclamem com entusiasmo a sua Palavra, líderes que falem a verdade e sejam como Calebe.

Barzilai, com 80 anos, disse que não poderia discernir entre o bom e o mau, sentir o sabor no que comer e beber, nem ouvir mais a voz dos cantores e das cantoras (2 Sm 19.35). Existem muitos como Barzilai, os quais se acomodaram, se enclausuraram em sua forma de viver e estão acomodados. Estão à frente da igreja, mas sem força para servir ao Reino. Por outro lado, Calebe, aos 85 anos, sentia-se tão forte como quando tinha 40 anos (Js 14.10-11). Graças a Deus porque ainda hoje existem muitos como Calebe, com força e vigor para fazer a obra do Mestre Jesus!

Levantemo-nos e esforcemo-nos, ministros do Senhor e aspirantes ao ministério! Tenhamos coragem e autoridade para fazermos a obra do Senhor enquanto há tempo. Deus precisa de líderes compromissados com sua Igreja, homens e mulheres que realmente estejam dispostos a se doarem por sua obra.

Que possamos voltar a ouvir o clamor das vidas, como outrora ouvíamos, e que esse clamor venha incomodar-nos, para que não nos acomodemos e venhamos a ter que dar conta delas. Que o Senhor Jesus nos desperte.

7 – PERDEM A COMUNHÃO COM DEUS

Esta é a última atitude de um líder ineficaz. Talvez até possa ser a primeira, dependendo do ângulo pelo qual esteja sendo analisada a questão.

Como Deus está se sentindo ao ver líderes que Ele chamou para apascentar seu rebanho, os quais deveriam manter uma vida de comunhão com Ele, mas estão completamente distanciados dos seus propósitos?

É muito triste pensar que existem obreiros que já não oram, não jejuam nem consagram mais suas vidas no altar. Só em pensar que existem muitos que não têm comunhão com Deus já não nos sentimos bem. Muitos já não conseguem mais sentir a presença de Deus, perceber o mover do Espírito em suas vidas, porque isso não é mais prioridade.

Certa vez, ouvi dizer que a coisa mais difícil é fazer um líder sentir a presença de Deus. Entretanto, venho lutando para não acreditar nisso, porque creio que, ainda que haja muitos testemunhos ruins, existem líderes com vida consagrada a Deus, cuja prioridade é fazer a vontade dele.

Conhecer a Deus, mediante verdadeira submissão a Ele, em confiança, é a experiência mais importante da vida.

Quão maravilhoso é quando Deus se revela àqueles que o buscam de todo coração! Busquemo-lo com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças, pois Deus deseja revelar-se em nossas vidas em todos os momentos particulares do nosso serviço a Cristo.

Conculsão

Se você deixar os seus próprios caminhos e realmente buscar a Deus, o seu Espírito transbordará em você. Nada poderá separá-lo do seu amor ao confiar nas suas promessas e segui-lo em obediência. Ele será o seu Deus e você será seu particular tesouro! Você sentirá que Ele o comprou por um alto preço e quer ter comunhão com você não somente agora, mas para todo o sempre!

Texto original extraído da Bíblia – Obreiro Aprovado

Artigo: “Liderança Ineficaz” (página 966)

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